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sábado, 11 de junho de 2011

15 Mil Dias

Hoje, reparei com enorme surpresa que uma data muito significativa da minha vida se aproximava. E não. Não é o meu 41º aniversário.

A sociedade ensinou-nos a comemorar cada ano que passa, como se mais uma etapa da vida estivesse ultrapassada. Festeja-se. A essas etapas achou-se por bem designar por “ciclos” e dizer-se que a vida é constituída pelos mesmos. Convencionou-se. E essa convenção está tão enraizada no nosso pensamento e nas nossas atitudes que quando atingimos determinadas idades achamos por bem assinala-las de forma especial, porque supostamente fechamos 1 ciclo e abrimos outro: quando atingimos os 2 dígitos; quando “casamos” os anos; quando atingimos a maioridade; quando chegamos aos “entas”; quando fazemos 50 anos; e, apenas em alguns casos raros, quando conseguimos sobreviver 1 século completo.

Isto também acontece porque os números fazem parte integrante da nossa vida. Sempre o fizeram e continuarão a fazer. Os números têm uma força enorme na nossa forma de ser e de estar. Condicionam-nos. Há números que são só por si uma força. Há uns importantes, porque são “redondos”, e outros nem por isso.

A vida comemorada ano a ano leva-nos quase sempre a idealizar projectos a longo-prazo que nos conduzem frequentemente a estados de ansiedade e frustração. Temos pressa. Muita pressa que o nosso desejo se concretize e, muitas das vezes, por não conseguirmos atingir os objectivos a que nos propusemos, deprimimo-nos. Temos tanta pressa de chegar ao destino que nem sequer nos detemos, por breves instantes, a olhar pela janela da vida e desfrutar da viagem que nos levará até lá.

A vida deve ser vivida dia-a-dia. Ao longo de 24 horas há tantos momentos importantes que preenchem a nossa vida. Desde logo, o despertar. Quantas pessoas não morrem durante o sono acabando por não ver o nascer de um outro dia?!

É por isso que hoje decidi que, este ano, comemorarei um dia em particular, dando-lhe maior importância do que aquela que dei a todos os anos passados até aí. Dia 5 de Agosto de 2011. Esse dia assinalará o facto de ter despertado e vislumbrado, pela minha janela, o nascer do sol 15.000 vezes. Sim, 15.000 dias passados. É um número “redondo” e por isso merecedor de toda a minha atenção. Porquê?! Porque esse ainda é possível dobrar e portanto posso dizer que estou a meio da viagem. O próximo, com a característica suprema para ser considerado importante – “redondo” – será os 20.000 dias, e esse é dobrado apenas por uma dúzia de pessoas. E eu não serei uma delas.


Luís Alturas, 11 de Junho de 2011

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