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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Protecção Civil

Desde a II Guerra Mundial (já lá vão um aninhos…) que existe, em Portugal Continental (bem como nos arquipélagos dos Açores e da Madeira - apesar do “buraco” do Alberto João), uma organização com a finalidade de prevenir riscos colectivos inerentes a situações de acidente grave ou catástrofe; de atenuar os seus efeitos; proteger e socorrer as pessoas e bens em perigo quando aquelas situações ocorram. Depois de já ter tido outras designações (por este ou aquele motivo - que só eles sabem e que eu apelido de politiquices), a partir do dia 27 de Outubro de 2006 esta organização passou a designar-se, pomposamente, por Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC).
Muito bem! Alguém que olhe por nós! Alguém que nos proteja que não só Ele (que está lá, nas alturas…)! Também, já lá diz o ditado, “Mais vale prevenir do que remediar”. Essa é que é essa…
Mas… agora, pergunto: onde está a ANPC quando precisamos dela?! O seu objectivo não passa pela prevenção?! Será que a sua missão de prevenção passa apenas por alertar, colorindo de amarelo, laranja ou vermelho, os distritos nacionais?! Bonito…
“Portugal está hoje em alerta devido à aproximação de uma tempestade em formação no Atlântico. A Protecção Civil pôs todo o País em alerta, na sequência dos avisos do Instituto de Meteorologia (IM).”, diz o Diário de Notícias, hoje.
Mas o que é isto?! A Protecção Civil pôs o país em alerta?! Estão a brincar comigo?! O dia de hoje não está para alertas: chove a cântaros e está uma ventania que não se pode (basta ver o número de guarda-chuvas que se vêem, todos partidos – esfrangalhados, mesmo - por essas ruas fora)… o que é preciso acontecer mais para eles considerarem “riscos (…) de acidente grave ou catástrofe”?!
Num dia como este, e por muito precavida que seja, uma pessoa corre “riscos” enormes de acidente, que vão desde: cair-lhe uma árvore em cima, provocando-lhe um traumatismo crânio-encefálico grave; o seu veículo motorizado despistar-se num lençol de água, causando não só danos materiais como poli-traumatismos vários (“poli-traumatismos vários”… se bem me recordo, isto é um pleonasmo); ser atingido por um relâmpago, causando queimaduras graves (de 2º e 3º grau) em x percentagem do seu corpo (e isto na melhor das hipóteses - para não ser pessimista e dizer, eventualmente, morrer); afogar-se dentro do próprio carro, que entretanto fica atolado numa poça de água gigante e profunda (agora, se calhar fui um bocado longe demais…); escorregar no lancil do passeio, fracturando o colo do fémur ou do rádio (ou, sabe-se lá, outro colo qualquer); cair dentro de um buraco negro, devido à falta de uma tampa do esgoto (que entretanto havia saltado), dando origem a uma intoxicação a todos os níveis; ser atingido por um guarda-chuva alheio, que entretanto se escapa das mãos (do alheio, claro) e vazar uma vista; ser projectado, com toda a força, contra uma parede ficando inconsciente ou amnésico (no mínimo, confuso); molhar toda a roupa que se traz vestida resultando daí uma carraspana (leia-se: gripe) de estripe desconhecida (das aves, não me parece muito provável – e chega de “bater” nas aves pois o Tamiflu já foi totalmente escoado, o ano passado, fazendo as alegrias ao Rumsfeld e ao seu grande amigo Bush); perder o capachinho que se usa habitualmente, levando a uma situação de embaraço tal que só consegue ser resolvida depois de inúmeras sessões de psicoterapia; and so on… and so on… (que é como quem diz: e muitas outras coisas que agora não me vêem à cabeça – ou se vêem, não tenho coragem para as escrever).
Quanto a mim a ANPC deveria ter um comportamento muito mais preventivo e interventivo em dias como o de hoje. Não devia limitar-se a dar alertas coloridos, mas obrigar todos os cidadãos deste país a adoptarem medidas muito rígidas e concretas. Deixarem-se dos “caldos de galinha” e passarem à acção. E, a acção passaria por não permitir que ninguém saísse de casa enquanto a situação perdurasse.
Deviam ser claros, através de comunicado, usando todos os meios de comunicação social disponíveis, dizendo: “Atenção, atenção… Atenção, atenção (normalmente, nestas situações, repete-se a palavra de ordem para poder ter mais efeito – principalmente para os distraídos)… a ANPC obriga todos os cidadãos deste país, a partir deste momento e durante as próximas horas, a manterem-se dentro das suas casas até nova ordem em contrário. Deverão permanecer quentes e confortáveis (dentro da cama – se assim o desejarem), a ver uma boa série televisiva (na Fox) e a comerem umas bolachinhas acompanhadas de um chá ou chocolate quente. Isto não é um exercício. Isto não é um exercício… (lá está… para os mais distraídos) É uma ordem”.
É deste tipo de acções que a sociedade está à espera, quando se tem um gabinete com o propósito do ANCP. Desta forma, prevenir-se-iam eficazmente os acidentes e o povo (independentemente da subtracção dos seus subsídios) andaria mais feliz pois sentir-se-ia mais seguro.
Falo por mim, claro…
Luís Alturas, 26 de Outubro de 2011

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