O que eu sofri nesse dia. Estávamos em pleno verão. A tarde estava particularmente quente e a Eurovisão ir-me-ia proporcionar assistir ao jogo, até ai, mais aguardado daquele Campeonato Mundial de Futebol, que tinha lugar em Espanha.
Nessa segunda-feira, dia 5 de Julho de 1982, disputava-se o jogo dos quartos-de-final do Mundial 82 entre a selecção do Brasil e a selecção da Itália. Foi o primeiro mundial de que me lembro ter assistido com a regularidade que esta prova merece. Uma vez que, por essa altura, a selecção portuguesa (por falta de traquejo internacional) ainda não andava nestas “lides”, a selecção canarinha era aquela pela qual quase todos os portugueses torciam. Eu era um deles.
Assisti a esse jogo em casa de um amigo e lembro-me perfeitamente, como se o mesmo se tivesse disputado há uma semana atrás. Teve tanto de emocionante como de dramático pois a selecção “de todos nós” acabaria por ser eliminada, por aqueles que viriam a ser, tão somente, os campeões do mundo.
A selecção brasileira era formada por jogadores como Falcão, Zico e Sócrates. Todos eles extraordinários, dotados de habilidades técnicas mirabolantes que não estavam ao alcance de qualquer um. Mas um deles destacava-se pela sua elevada estatura, farta barba e pela forma exímia com que jogava com o calcanhar. Para além do mais era, nem mais nem menos, médico. E, isso tornava-o, pelo menos para mim, um jogador ainda mais carismático. Sócrates, o doutor.
Hoje, Domingo, dia em que o Corinthians se sagrou campeão brasileiro, acordei com a triste noticia que Sócrates Brasileiro Sampaio de Sousa Vieira de Oliveira perdeu o derradeiro e mais importante jogo da sua vida. Com apenas 57 anos sucumbiu a uma septicemia resultante de uma vida acompanhada por um adversário implacável – o álcool.
É triste ver “partir” aqueles que, em tempos, foram os nossos ídolos. Aqueles que julgávamos diferentes dos comuns mortais, como nós. Mas, ninguém é diferente de ninguém…
“Quero morrer em um Domingo e com o Corinthians Campeão” – Sócrates em 1983
... ou será?!?!
RIP
Luís Alturas, 04 de Dezembro de 2011


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