Ontem, foi notícia no jornal “Correio da Manhã” (where else?!), que várias figuras publicas, do erroneamente apelidado jet-set português (não há jet-set em Portugal, ponto), participavam activamente em orgias em hotéis de luxo, na linha de Cascais e no Algarve, na companhia de prostitutas e travestis (espanta-me não haver também, nessas tais “festas”, cavalos, anões e palhaços – porque sempre seria mais divertido). Entre elas constava aquela “coisa” que vergonhosamente continua impune a tudo e a todos, gozando alarvemente do “Zé Povinho” que o idolatra – José Castelo Branco. Afinal, sempre havia um palhaço…
Supostamente esta descoberta terá decorrido no âmbito de um suposto envolvimento de um empresário do norte no tráfico de armas e de uma denúncia feita pela mulher do próprio que se diz vítima de escravidão sexual. Seria?! Ou terá deixado de receber a “pensão” que lhe era prometida?!
Para mim isto não é notícia, uma vez que este tipo de comportamentos é infelizmente “normal” dentro de uma elite da sociedade portuguesa que se julga (e tira proveito disso) intocável. Uma elite podre, de canalhas, que pelo facto de terem contas bancárias chorudas (à custa, sabe-se lá de que favores) acaba por comprar “serviços” extravagantes e ilícitos sem que sejam alguma vez devidamente punidos por isso.
O escândalo da pedofilia (há mais de 10 anos) foi disso exemplo. Antes de mais estou convencido que para além dos implicados haveria muito mais gente envolvida neste “círculo de amigos”. Desses, grande parte pertenceria ao meio político e judicial. O caso Paulo Pedroso não deixou qualquer dúvida (pelo menos, para mim – comum cidadão) que estes dois poderes, ao contrário do preconizado num Estado de Direito, andam de mãos dadas. Um é subserviente do outro e vice-versa. Todos têm telhados de vidro muito (mas, muito) frágeis.
Não obstante, ter havido um julgamento que condenou os arguidos dos crimes para os quais estavam indiciados, os mesmos continuam a fazer a sua vida normal, isenta de qualquer peso de consciência ou temor, pois sabem de antemão que a justiça portuguesa não é cega, surda nem muda como deveria ser. Para estes pulhas existe sempre mais uma vírgula ou um prazo que pode ser alvitrado e que os vai mantendo à tona da água conspurcada onde se banham diariamente.
Assim sendo, este caso é só mais um dos muitos casos que vai apenas denegrir a imagem da sociedade portuguesa no exterior e que não terá qualquer consequência para os implicados, a não ser o enchimento dos seus bolsos à custa da venda de entrevistas e participações em talkshows televisivos que pagarão a sua presença a peso de ouro.
Porquê?! Porque a sociedade portuguesa embruteceu-se ao ponto de consumir avidamente tudo o que tenha a ver com a imundície, indecência e obscenidade.
A sociedade portuguesa está cada vez mais pobre de espírito…
Palhaçada…
Luís Alturas, 28 de Setembro de 2011


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