Se há coisa dificil de escolher é a lingerie feminina. A roupa íntima da mulher é um verdadeiro mundo à parte, dentro do mundo real. Uma criação de culto que só alguns (poucos) homens podem aspirar a conhecer (os profissionais da área). Há uma gama tão variada de peças (soutiens, tangas, cuecas, shorts, bodies, corpetes, faixas, meias, collants, ligas, etecétera) que a sua selecção, por parte de quem pretenda presentear uma mulher com qualquer uma delas, é um acto de extrema dificuldade e complexidade (de resto, tal como tudo o que tenha a ver com a mulher).
Desde logo, com a peça que tem cerca de 100 anos, que serve para acomodar devidamente as suas glandulas mamárias (vulgo: mamas) e que em Portugal se designa, tal como em França, por soutien (mais um estrangeirismo da língua portuguesa, pois na realidade o nome apropriado seria sustentador).
Para além dos diferentes modelos de sustentadores: almofadados; "push-up"; meias copas; e outros – que servem diferentes propósitos (aumentar, diminuir, levantar, modelar ou juntar), temos os tamanhos e as copas, que naturalmente variam com a quantidade de leite que as mesmas glandulas podem vir a conter (ou que, em certa altura, abarcaram dentro de si).
Quando pretendemos fazer uma surpresa à nossa namorada comprando-lhe, pela primeira vez, uma peça deste grau de complexidade, dirigimo-nos normalmente a uma loja da especialidade. Aí, vemo-nos quase sempre confrontados com a pergunta sacramental (por parte da empregada que nos atende): “Qual o tamanho que pretende?!”. Pois bem, neste particular e visto que naturalmente a namorada não está connosco, tendemos a olhar (já que não podemos tocar) para as maminhas da senhora, avaliando o seu tamanho, distância (entre elas), rigidez e altura, acabando por responder: “São mais ou menos do tamanho das suas!”. Nisto, a empregada vira-nos as costas, para não mostrar o rubor com que as suas faces ficaram, dirige-se a passos largos para um qualquer expositor (recompondo-se lentamente do choque) e mostra-nos o tamanho semelhante áquele que usa por baixo da blusa que tem vestida: “Aqui tem!!!” – vai dizendo, enquanto se afasta e nos deixa a sós com toda aquela gama variadissima de sustentadores.
Ela fica constrangida e nós acabamos por ficar igualmente constrangidos pelo constrangimento causado. Mas há outra forma?! Não. As maminhas da empregada são o nosso único termo de comparação! E não podemos falhar nesta compra de tamanha responsabilidade (da qual pode mesmo depender o futuro desse namoro) correndo o risco de levar um que fique demasiado apertado (que as espalme) ou largo (que não as sustente), dando azo a que ela ainda possa dizer: “Não compraste, certamente, este soutien para mim… Diz-me (sê sincero), tu andas com outra?!”.
Acho que, para que ninguém ficasse constrangido, nessas lojas deveria haver modelos (e já não falo daqueles em carne e osso – pois só em vencimentos o dono da loja ficaria arruinado) que nos permitissem apalpar e tomar o sentido do tamanho pretendido. Da letra correspondente à copa que melhor se adequasse ao tamanho das maminhas da nossa namorada.
Tomando como referência a nomenclatura abaixo, dentro de cada letra há ainda algumas variações que devem ser consideradas e devidamente analisadas.
A – Almost Boobs
B – Barely there
C – Can Do
D – Damn good
E – Enormous
F – Fake
B – Barely there
C – Can Do
D – Damn good
E – Enormous
F – Fake
E, era ver “resmas” de homens, à volta desses modelos, à procura do sustentador ideal para as suas mulheres. Seria ainda mais divertido do que o Fun-Center…
Luís Alturas, 27 de Setembro de 2011


Sem comentários:
Enviar um comentário