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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Fechos e Desfechos

Sempre tive alguns problemas com os fechos (bem... se fosse só com os fechos…). Principalmente, com os éclaire (das calças), quando era mais miúdo (há muito pouco tempo, portanto...). Problemas muito dolorosos, sempre que os seus tenebrosos dentes se encravavam e eu não os conseguia fechar.

Como nunca fui um exibicionista (pois - e isto cá para nós que ninguém nos ouve - não tinha nada para exibir) prezava em fechar sempre a braguilha depois de usar o meu equipamento(zinho), mesmo que de um sábado ou dia de pagamento se tratasse. Como tal, quando estes se encravavam não me restava outra alternativa senão puxa-los, puxa-los, puxa-los... Muitas vezes, e por mais força que fizesse (e pouco jeito, provavelmente), os malditos (sabe-se lá porquê) continuavam presos. Até que, numa das puxadelas, já sem muito tino, e sem que nada o fizesse prever, desencravavam-se trilhando-me as peles. Auuuuuuuuuuu.....Isto provocava-me dores de vir as lágrimas aos olhos. Auuuuuuu.... Maldito sejas, Gideon Sundback…

E foi por estas e por outras que, à medida que cresci, passei a ser muito mais cuidadoso na acomodação das minhas miudezas e no manuseamento desses fechos-de-correr – apesar de, mesmo assim (não vá o diabo tece-las) continuar a preferir calças com botões.

Mas, e apesar do sofrimento que os éclaire me provocaram, não são esses os que mais odeio! Não. Aqueles que, quanto a mim, deviam ser simplesmente banidos deste mundo (para todo o sempre) são os que servem para apertar os soutiens – que têm o nome pomposo e afrancesado de “colchetes”. Não... não uso essa peça de roupa íntima, mas tenho a felicidade de desaperta-los (de quando em quando) e sei das dificuldades e embaraço que sinto sempre que o momento o exige.

Por muito romântico que se pretenda ser, na fase de “ajudarmos” a mulher que tanto desejamos a livrar-se da roupa que traz vestida, chega-se à parte do soutien e todo esse romantismo “cai por água abaixo”, pois aqueles malditos colchetes impedem-nos de dar um seguimento contínuo e rápido à coisa. Um bom (des)fecho...

Acho que estes fechos existem só com o propósito de envergonharem um homem, senão vejamos: o homem não foi feito para usar soutien (só os mais fetichistas) logo, nunca se habituou a abrir e a fechar colchetes; depois, na hora “H”, a sua abertura é feita às escuras (não necessariamente sem luz, mas sem ver – às cegas); o mecanismo é complicado porque não abre sempre para o mesmo lado (pelo menos, assim me parece…); depois, há uns que têm 4 “coisos” (leia-se: ganchos), outros 6 e outros ainda 12 (se calhar, já estou a exagerar).

Os melhores fechos que conheço, que deviam passar a ser colocados em todo e qualquer soutien, são as molas. Esses sim… são um fecho como deve de ser. Um fecho que se abre com apenas uma ligeira pressão, quase sem que a sua portadora dê por isso (digo-o, a avaliar pelos body’s cujas molas - estrategicamente bem colocadas - abrem sempre de uma forma pacífica e agradável).

Hoje, a “abertura fácil” é uma realidade do nosso dia-a-dia, presente em qualquer pacote, proporcionando-nos um fácil acesso ao seu conteúdo. Porque não a introduzi-lo também na abertura dos soutiens?! Todos ficariam a ganhar: os homens, que atingiriam mais facilmente o seu  objectivo; e, as mulheres, que teriam muito mais prazer no seu desfecho…

Extingam-se os colchetes, bolas…



Luís Alturas, 19 de Outubro de 2011

1 comentário:

  1. Uma excelente abordagem dessas" trancas"! Tudo isso, já para não mencionar os desfechos menos felizes, em que se fica com o pingalhete nas mãos!! ;-)

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