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domingo, 5 de fevereiro de 2012


A Verdade do Evangelho
(Segundo a perspectiva de Luís Alturas)


Capítulo I


Betabara, 11 de Abril do ano 30 d.C.
                                                                                                  
    Joshua percebia que o seu pai ainda se encontrava muito frágil e exaurido. Mal conseguia falar e as chagas perfurantes que marcavam o seu escanzelado corpo tinham ainda um aspecto asqueroso e muito ensanguentado. Desejava que ele recuperasse depressa daquele atroz sofrimento. Não conseguia vê-lo naquele estado durante muito mais tempo. Tinha de fazer alguma coisa. Tinha de actuar rapidamente. Se assim pensou, melhor o fez.
    Pegou na sacola de couro e, sem dizer palavra, saiu de casa. Madalena ainda tentou saber onde é que ele ia, mas já não obteve resposta, a não ser o som surdo do bater da porta.
     Em passo apressado, Joshua dirigiu-se em direcção ao mercado de Betabara, no centro do povoado, decidido a conseguir encontrar os unguentos adequados a fazer sarar aquelas feridas.
    Tinha apenas 12 anos de idade, mas já há muito sabia o que era viver numa condição de descrição absoluta. Nunca revelara a sua verdadeira identidade, nem tão pouco a do seu pai pois, dissera-lhe certa noite Madalena, tal poderia ser deveras comprometedor, não só para ele como para o resto da sua família. Mas agora não queria saber. Afinal de contas, aquilo que mais temera já havia acontecido. Para além do mais, já se encontrava a distância segura, depois da duríssima jornada feita pelo deserto, durante dois penosos dias.

    Ao ouvir bater com estrondo na porta, Madalena abandonou os preparos que fazia na cozinha, acompanhada de Maria, e apressou-se a abri-la julgando tratar-se de Joshua. Ao abri-la, ficou estupefacta com o que viu. Afinal, não era o seu filho que se fazia anunciar. A figura que se prefilava à sua frente era a de João. Não pode ser! Resultou…
   Não esperava que a ideia que a sua sogra tivera durante a jornada, pudesse ter sortido o efeito desejado. Duvidara que tal discreto procedimento viesse a ser, alguma vez, eficaz. Mas enganara-se. Tal como lhe havia dito Maria, daquela forma singela, o mais fiel dos amigos do seu filho haveria de o encontrar. Encontrou-o...

        João encontrava-se agora junto do seu mentor. Conseguira, com a ajuda das gentes que viviam em tendas no deserto, e que haviam visto tal caravana peculiar passar – uma caravana muito diferente das demais pois, sem qualquer razão aparente, fazia-se alumiar de 2 em 2 horas, através de uma lâmpada de azeite –, chegar ao casebre que albergava aquele que fora injusta e vilmente castigado - dado como morto naquela tempestuosa tarde do dia 7 de Abril, no Lugar da Caveira, fora das muralhas de Jerusalém.
    Estava exuberante com o reencontro e, apesar de aparentar grande sofrimento, João tinha a certeza que o seu amo não voltaria a morrer outra vez. Milagre…

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