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domingo, 18 de março de 2012

A Verdade do Evangelho
(Segundo a perspectiva de Luís Alturas)


Capítulo XIV

Jerusalém, 7 de Abril do ano 30 d.C.

    Depois de uma bem-sucedida fuga para o Egipto, escapando dessa forma ao massacre que Herodes ordenara quando tinha apenas um ano de idade, Jesus voltaria – depois da morte de tão vil figura real – para a Galileia, juntamente com toda a sua família.
    Em Nazaré, tivera uma infância igual à de qualquer outra criança da sua idade: ajudava muitas vezes, na oficina, aquele que se intitulava seu pai; auxiliava a sua mãe nas tarefas domésticas; comparecia, todas as semanas, na sinagoga a fim de ouvir os ensinamentos do evangelho; brincava alegre e despreocupadamente com outras crianças da sua idade.
    Depois da trágica e inesperada morte de José – que ocorrera acidentalmente em casa do governador da Galileia, em Séforis, devido à queda de um mastro – Jesus, agora com pouco mais de catorze anos de idade, despertava para a compreensão e para a responsabilidade de tomar conta da sua mãe, viúva, e de sete irmãos – e de um outro mais, que estava para nascer. Tornava-se, agora, o único esteio e conforto dessa família tão subitamente enlutada.
    Com o passar dos anos tornar-se-ia um homem gracioso na figura. O seu cabelo, castanho, era liso até as orelhas e ondulado até os ombros, onde era mais claro. No meio da cabeça aparecia dividido, conforme o costume dos Nazarenos. De semblante reverente, a testa era lisa e delicada. Os seus olhos eram acinzentados, claros, e espertos. O seu nariz e boca não podiam ser repreendidos. A barba bifurcada e não muito longa era espessa e da mesma cor do cabelo. De aparência inocente, Jesus tornar-se-ia num homem cortês, justo e sábio na oratória. De tal forma que, ao longo da sua vida adulta passaria a usar esses seus dons como uma arma de arremesso contra a ordem social estabelecida.
    Conseguiria, através da palavra, arrastar as multidões e atemorizar os que detinham o poder. Igualmente contestatário sobre o conteúdo e a forma como o evangelho era celebrado nas sinagogas judaicas, Jesus haveria de ser condenado pelos sacerdotes do templo, que viam na sua figura a blasfémia e a imoralidade em pessoa.

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